Skipper no mar como na vida! ⚓

 

Nota de Redação:  Caro leitor, a Revista de Marinha inicia hoje a publicação da série de crónicas “O JOVEM E O MAR”, da autoria do jovem marinheiro e empresário Bernardo Castro.

 

Quem me conhece, sabe que sou um amante do Mar e o líder da Seaventy, uma empresa emocionante que aproxima as pessoas do Mar.

Desde muito cedo acompanhei o meu pai nos seus cruzeiros de veleiro ao fim de semana e durante as férias e foi dele que herdei esta grande paixão. Aos dezoito anos, troquei a oportunidade de tirar a carta de condução pela carta de patrão local e em vez de ser o típico jovem que conduzia o carro do pai em segredo, navegava no seu veleiro às escondidas com amigos.

Sabe Deus (e muitas vezes, também a minha irmã Carmo), as aventuras e desventuras em que me meti durante essa curva de aprendizagem até ser um skipper profissional. Aos vinte anos já era contratado para fazer transportes de veleiros e iates para o Algarve e Espanha e aos vinte e um anos, iniciei a grande viagem da minha vida ao me casar com a Rita, a mulher da minha vida. Desse grande amor chegaram seis princesas para fazer de mim um homem melhor e mais equilibrado, obrigando-me a desenvolver um lado muito mais preocupado com os outros.

 

Esta vida ligada ao Mar e à liderança faz-me refletir inúmeras vezes nas lições que a vida no Mar pode dar à nossa vida em Terra.

 

Como líder, gosto de pensar como se fosse um skipper responsável por uma equipa de tripulantes cujas vidas estão dependentes das minhas decisões. E que a qualidade das minhas decisões está diretamente dependente da minha clareza e integridade.

Se em tempos de grande confiança e ventos favoráveis estas virtudes podem até ser esquecidas e menosprezadas por skippers menos conscientes, é em tempos de incerteza que skippers e líderes com altos níveis de clareza e integridade mais se destacam e salvam vidas. Literalmente.

Ser líder não é só estar à frente de uma equipa ou organização. É acima de tudo, ser responsável pelas escolhas na sua própria vida. É a diferença entre passar uma existência a fazer parte de várias tripulações ou escolher ser skipper da sua própria embarcação, responsável pelo rumo e segurança dos vários tripulantes que o tempo generosamente vai colocando no nosso caminho. Qualquer skipper entende o que está dependente de si e o que são as condições externas que dependem exclusivamente da Mãe Natureza: o vento, a chuva, o nevoeiro, o frio, o calor, as correntes, os animais… Todas estas condições aparecem em qualquer longa viagem.

 

Sábio e forte de espírito é o skipper que não faz depender a sua força de vontade e a sua felicidade das condições externas do ambiente, mas da atitude interna responsável e consciente que toma em relação a elas.

 

Crónica publicada na Revista de Marinha: https://revistademarinha.com/o-jovem-e-o-mar-skipper-no-mar-como-na-vida/